As Missivas - O Livro dos Meus Dias

Missivas: cartas, epístolas ou, simplesmente, bilhetes que são enviados a alguém.

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"Um poeta é sempre irmão do vento e da água: deixa seu ritmo por onde passa." Cecília Meireles

.............................................O Ritmo do Homem no Compasso de Deus........................................

30.10.08

Primavera no Inverno



Inspiração: Lucas 10, 25 - 37



Poucas vozes. Tantos vultos. Outras vozes. Nunca olhares. Muitos juízos, de vem em quando injustos. Muitos povos. Poucos próximos. Ah! estar meio morto é estar apagado, entristecido. É não ver sentido. É não ter desafios. É ter-se deixado levar por quem eu não podia. É perder a dignidade, o respeito e a emoção.
É querer tudo e não ter nada. É ter "tudo" e não querer mais nada. Desde que lhe vi em viagem, me recordo de onde eu vim. Lá eu era livre e parece que tenho fugido da liberdade procurando uma prisão. E de fato encontrei. Aprisionei-me buscando liberdade. Procurei respostas prontas. Encontrei muitas perguntas. Procurei por muitas praças. Encontrei muitas celas.

Tantos passaram por mim e nada fizeram. Passei por tantos em igual ou pior condição e nada fiz. Quem esteve ao meu lado e estive do lado de quem? Quem foi meu próximo e fui próximo de quem?

Eterno, tu tens suportado os meus dizeres negativos. Tens suportado o meu desejo de prisão, a minha falta de respeito e o castigo que eu mesmo me criei. Tu deixaste por um momento o teu cavalo. Me fizeste subir na tua montaria. Colocaste este morto em teus ombros e devolveste a vida e o movimento.

Deste-me o amparo e ainda levaste-me a uma casa. Deste-me comida e colocaste alguém para de mim cuidar. Peço-te que guardes este hospedeiro. Peço-te que me ensine a ser como tu, pois quero ser mais próximo dos outros; de mim; de ti. Quero ver oásis em desertos, primavera no inverno.


04.10.08

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3.9.08

Sentar à Mesa

Inspiração: Lucas 5, 1 - 11.

Já se sentiu desafiado a ter um encontro com Jesus?
Acabei não de perceber, mas de admitir que depois de diversos encontros belíssimos com o Eterno, hoje não me tenho feito presente em sua mesa. Talvez muitos dos ensinamentos obtidos pelos apóstolos de Jesus se fizeram a beira de uma mesa quando eram ainda discípulos. Talvez grande parte das histórias contadas no evangelhos tenham sido fixadas através dessas longas e demoradas conversas sobre simples (ou não tão simples assim) palavras pronunciadas por Jesus.
E eu me sinto desafiado. Há algum tempo atrás, eu era como o povo que se comprimia para ter uma possível oportunidade de ouvir esse professor. E me sentia fascinado ao ouvir suas histórias. Ao vê-las acontecendo na minha vida, meio que inexplicavelmente atualizadas. Era como se há aproximadamente 2.000 anos atrás alguém já soubesse tanto sobre mim que nem mesmo as minhas máscaras poderiam me mascarar.
Mas tenho andado distraído, talvez como uma ovelha que esqueceu a voz de seu pastor. Mas será isto possível? Eu me sinto como se ao chegar à mesa da refeição, faço meu prato e vou comer assistindo televisão. Não é assim que fazemos hoje em dia?
Hoje, ao ler Lucas 5, 1 - 11 e procurar depois de muito tempo voltar a fazer a Lectio Divina em minhas leituras e orações, me coloquei não como Simão Pedro (um futuro pescador de homens), mas como o povo sedento (um presente aluno sem vaga na escola).
Eu quero poder ouvir mais a voz desse professor para, assim como fez Pedro, pronunciar uma frase tão rica de confiança e entrega: "Por atenção a tua palavra, lançarei as redes". Esse é meu compromisso... Sentar à mesa e partilhar deste banquete. A pesca é consequência.

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